Exclusivo: Crise abre oportunidade, mas preço frusta negociação de carteira 'podre' do varejo

A pressão de caixa vivida por redes de varejo, em um ambiente em que 67,9 mil lojistas fecharam as portas em seis meses, tem aumentado o interesse do segmento por negociações financeiras envolvendo suas carteiras de crédito inadimplente. Mas apesar dos esforços de negociação, empresas especializadas na aquisição de créditos podres veem dificuldades de precificação de carteiras do varejo, por conta da escalada do desemprego e do elevado patamar da inflação.

Um caso recente foi o da Pernambucanas, que em julho colocou à venda uma carteira de R$ 2,2 bilhões, pelo valor de face, com dívidas acima de 360 dias, chamando a atenção de participantes do mercado de crédito podre pelo tamanho e pelo ineditismo, já que a varejista nunca havia colocado à disposição do mercado tal montante.

A estratégia não foi, entretanto, bem sucedida, uma vez que a expectativa da varejista era receber pelo menos 5% do valor da carteira, ou seja, cerca de R$ 110 milhões. "As ofertas recebidas pela Pefisa, unidade financeira da Pernambucanas, ficaram abaixo do limite mínimo fixado e, por isso, a decisão da companhia de encerrar o processo", disse a varejista ao Broadcast, por meio de sua assessoria de imprensa. Fontes disseram que os créditos eram compostos por crédito direto ao consumidor, dívidas com cartão de crédito Pernambucanas, empréstimo pessoal e dívidas já renegociadas.

Segundo a empresa, a Pefisa estudou a possibilidade de negociar a venda de sua carteira de clientes considerando ser uma oportunidade de negócio vantajosa e um complemento à sua estratégia de manter o foco em seu core business nas áreas de Vestuário, Lar-Têxtil, Eletroportáteis, Celulares e Informática. A Pernambucanas acrescentou que, apesar da interrupção do processo, "não houve a necessidade de fazer antecipação de recebíveis ou buscar outras alternativas de financiamento do capital de giro".

Embora o caso de uma gigante como a Pernambucanas chame atenção, o interesse na venda dessas carteiras é mais significativo por parte de redes de médio porte, avalia o fundador da empresa especializada em estratégia de varejo Varese Retail, Alberto Serrentino. São companhias que ficaram de fora quando se firmaram no passado os principais contratos de joint venture ou de exclusividade que compartilham o risco das operações de crédito com grandes bancos.

"As grandes carteiras já estão nas mãos das instituições financeiras, mas ainda tem muita rede média, em especial no segmento de eletroeletrônicos, que busca alternativas para o estrangulamento de caixa", comenta Serrentino. "Vemos companhias que ficaram asfixiadas e sufocadas na crise, tendo que fechar lojas, matando operações deficitárias que pudessem sangrar caixa", acrescenta.

Normalmente essas carteiras são adquiridas com um desconto e profissionais da área comentam que a precificação de uma carteira inadimplente de varejo se tornou um problema. A falta de previsibilidade em relação ao emprego, por exemplo, prejudica a leitura do potencial de recuperação dessa carteira, explica o sócio da Jive, empresa especializada na compra de carteiras inadimplentes, Guilherme Ferreira.

"A forma mais tradicional de precificar uma carteira como essa (de varejo) é olhar para a recuperação de carteiras similares no passado. Como tivemos 10 anos de pleno emprego, não há parâmetro, porque não se sabe ainda onde está o pico do desemprego", diz. "Por não haver garantias, essas carteiras têm risco de crédito maior, o qual é potencializado pela contração da economia, desemprego e escassez de credito", destaca.

O diretor da companhia especializada em créditos e empresas inadimplentes TCP Latam, Roberto Profili, comenta ainda que a inflação alta, ao corroer parte da renda, diminuiu a inclinação das pessoas físicas para honrar as suas dívidas. "Há alguns anos, além de o índice de inadimplência ser menor, o prazo médio do que estava vencido não era tão longo", observa Profili. "Como o desemprego não atingiu seu pico, a precificação é prejudicada", acrescenta.

Profili nota ainda que a qualidade dessas carteiras, do ponto de vista de recuperação dos créditos, é muito ruim. Além de não haver garantia, essas carteiras são compostas por devedores de tíquetes pequenos, que perdem o interesse em honrar essa dívida à medida que o tempo passa e, normalmente, estão inadimplentes em várias lojas. Ele diz que, por conta disso, o que algumas varejistas têm feito é buscar parcerias com empresas especializadas na recuperação de crédito para minimizar suas perdas. (Cynthia Decloedt )

Ricardo Jacomassi, novo diretor da TCP

TCP Latam tem novo diretor
 

O economista Ricardo Jacomassi é o novo diretor da TCP Latam, empresa de investimento e gestão, focada em M&A, reestruturações financeira e operacional,  renegociação de dívida, gestão interina e captação de recursos no Brasil e na América Latina.  
 

Jacomassi, que foi economista-chefe do Sindipeças, estará à frente da área que atende empresas da indústria de transformação, que engloba os setores de autopeças, automotivo, metalúrgico e eletroeletrônico. O executivo também será responsável pela coordenação dos estudos econômicos produzidos pela TCP Latam.
 

Além da experiência na elaboração de análises econômicas nacionais e internacionais, Jacomassi assessorou operações de fusões e aquisições e reestruturação de importantes empresas da indústria brasileira, principalmente da indústria de transformação. Valuation, turnaround, governança corporativa, administração de empresas familiares e assessoramento de conselho de administração também estão entre as atividades já realizadas pelo novo diretor. 

 

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

TM Comunicações

Caroline Romero (caroline@tmcomunicacoes.com.br ) – Tel.: (11) 2503-7525 / (11) 99496-1898

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Perfil TCP Latam

Fundada em 2008, a TCP Latam é uma boutique de investimentos e gestão focada em empresas em situações especiais no Brasil e na América Latina. Sua equipe faz gestão interina, reestruturação operacional e de dívidas, assessoria em fusões e aquisições e captação de recursos. Atualmente, a TCP conta com uma equipe de 30 profissionais com vasta experiência em instituições financeiras de primeira linha no Brasil e no exterior.

A TCP atua na posição de CEO, CRO, CFO, COO e Controladoria em todos os cenários de dificuldade de uma organização, solucionando problemas de gestão, conhecimento e capital de empresas com desempenho insatisfatório, que estejam em crise ou passando por um processo de recuperação judicial ou liquidação.

O foco da TCP são companhias de médio e grande porte, com faturamento acima de R$ 100 milhões. A boutique atua em todos os setores da economia, com grande expertise em agronegócio, varejo, transporte e autopeças. Entre os cases da TCP Latam estão as reestruturações de empresas como Daslu, Grupo Porcão, Minuano Alimentos, Leolar e Duchen.

As áreas de atuação da TCP Latam estão dividas da seguinte forma:

Reestruturação Operacional: faz a organização financeira das companhias, reestruturando a controladoria, o orçamento, fluxo de caixa, balanço e passivos.

Reestruturação financeira: desenvolve plano de renegociação e reestruturação de dívida e patrimônio, liderando o relacionamento com credores ou a venda dos ativos. Além disso, a empresa pode desenvolver planos de recuperação judicial e extra-judicial.

Captação de Recursos, Fusão & Aquisição e Avaliação Financeira: faz a avaliação financeira e a análise econômica da organização, o levantamento de capital e o aconselhamento estratégico em fusões e aquisições.

Investimento Direto: busca oportunidades em empresas de médio porte do mercado brasileiro.

Com atuação nacional, a TCP possui uma ampla rede de relacionamentos. Hoje, a empresa está presente em 15 estados, onde atuam profissionais sêniors com grande experiência. O objetivo da boutique é ter presença local nos 27 estados brasileiros até o final de 2016.

Para ampliar seu alcance internacional, em 2015, a TCP Latam fechou uma parceria com a GSS (Global Special Situations), aliança global de bancos de investimento com foco em transações de situações especiais, que inclui M&A, finanças corporativas, captação e reestruturação financeira. No início de 2016, a TCP fechou um acordo com a Gordon Brothers, companhia americana focada em investimentos em situações especiais, liquidação de estoque/maquinaria, entre outros.

 

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TCP Latam abre escritório em Belém

A TCP Latam, boutique de investimento e gestão, focada em reestruturações financeira e operacional, renegociação de dívida, gestão interina, fusões e aquisições e captação de recursos no Brasil e na América Latina, acaba de inaugurar escritório em Belém. À frente do novo endereço, primeiro da empresa fora de São Paulo, está o paraense Sarquis Charchar, ex-diretor regional dos bancos Safra e BIC. O executivo será responsável pelas operações das regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a nova unidade da TCP já atua em 10 projetos, sendo oito no estado do Pará.